Neste final de semana xinguei a Xuxa e, com a ajuda do meu colega @sinomar, ganhei novos followers em minha página do Twitter. Hoje é assim, a informação circula a jato e, se gostam um pouquinho do que você escreve, pessoas que nunca te viram antes passam a ser seus "seguidores", levando a imaginação dos mais incautos à conclusão de que quem me "segue" por lá é meu amigo. Certo? Nem sempre. Tem gente que ainda sabe que a Internet não é tudo.
Gay Talese, um dos maiores jornalistas do mundo, critica os profissionais de imprensa confiantes nas pesquisas somente via Internet. "Só sobreviverão os que se mantiverem junto ao povo, nas ruas, de onde nunca deveriam ter saído, ao invés de ficarem no Google", diz. Basear uma pesquisa somente na Internet pode ser perigoso.
Gay Talese, um dos maiores jornalistas do mundo, critica os profissionais de imprensa confiantes nas pesquisas somente via Internet. "Só sobreviverão os que se mantiverem junto ao povo, nas ruas, de onde nunca deveriam ter saído, ao invés de ficarem no Google", diz. Basear uma pesquisa somente na Internet pode ser perigoso.
Ruy Castro - preciso mesmo explicar quem ele é? - tem livros de sucesso como "Ela é Carioca" e "Estrela Solitária" e escreve sempre na página 2 da Folha. Até ele se rendeu à Internet e, talvez sem idéias ou de ressaca (eu entendo pois também estava), apelou para o Google e produziu o artigo para sua coluna do sábado, que você confere no post anterior.
Xuxa é uma apresentadora infantil de sucesso, centro de uma discussão na Internet durante a semana. Ofendida pelos xingamentos a ela e Sasha no Twitter, a "Rainha dos Baixinhos" acionou a Justiça pedindo a saída do website do ar no Brasil. Xuxa disse à imprensa: "ou exe Tuíterrr akaba, ou meuix advogadoix vão proibi-lo no Brasil". Depois desse tom autoritário de Xuxa, também postei no Twitter minha ofensa à rainha que, digamos, passa longe de me ter como súdito, porque eu já sou alto. Copiei algo encontrado em outro site sobre ela. Ofensa pesada, mas não de minha autoria. Encontrar a fonte será trabalho dos advogados de Xuxa, que também terão a proeza de censurar milhões de pessoas. Xuxa pensa que é Sarney. Sarney proibiu o Estadão de falar sobre seu filho. Xuxa quer proibir o brasileiro de usar o Twitter. Ela não entende que a Internet também é a voz do povo, ou melhor, o teclado do povo. Sarney quer calar a imprensa porque precisa do povo. Xuxa quer calar o povo porque precisa da imprensa. Sinais da volta da ditadura? Não sei. Sarney, todo mundo sabe, apoiou a ditadura militar. Xuxa, naquela época, ainda nem fazia comerciais de baixo orçamento com Pelé como este aqui, que continua na rede, assim como certo filme que ela fez.
Xuxa e Sarney sabem que não terão muito sucesso em calar a imprensa, nem o povo. Saindo às ruas, ainda ouvirei que Sarney é ladrão e um monte de coisas impublicáveis sobre o passado de Xuxa. Suxa e Xarney adoram lotar o judixiário de proxexos inúteis. Xarney e Suxa xão farinha do mexmo xaco.
Parodiando Ruy Castro - que não foi "seguidor" do Talese no sábado - resolvi deixar Xuxa tomar um xá e dexcanxar e iniciei uma pesquisa, em diversos sites, sobre AGRIPINO. Ou seja, não sou eu quem está falando aqui. Estou apenas copiando e colando. E quem é Agripino? Aqui em Prudente, ele é Agripino de Oliveira Lima Filho, ex-caminhoneiro, ex-professor, ex-tudo da política prudentina, fundador da Unoeste, onde curso jornalismo, da repetidora da Globo, da rádio FM, da rádio AM, do jornal. Não tem meio termo: Agripino é odiado ou amado, assim como Xuxa e Sarney. Se você leu até aqui esperando que eu fosse falar mal ou bem dele, dançou! Minha parada é outra. Vou fazer o que ninguém fez ainda: falar sobre o nome Agripino.
Agripino tem origem latina, e significa "aquele que foi parido pelos pés". Hoje é aniversário de Agripino Lima. Faz 68 anos que ele nasceu, não sei se pelos pés. É o que diz a Wikipedia, porque li no Imparcial que ele tem, na verdade, 82. O xará de Agripino em Brasília não é só José Agripino Maia, senador e ex-tudo da política potiguar. Logo ao lado, na Paraíba, João Agripino Maia foi o ex-tudo da política, até morrer, em 1988. Mas há outro João Agripino Maia no Recife, proprietário de duas empresas de tecnologia, a WIT e a Sophia. O LinkedIn não informa a relação do empresário com os Agripinos do governo, que aliás ainda não acabaram: Oto Agripino é o embaixador responsável pelos brasileiros que moram no exterior, enquanto Agripino Leitão é funcionário da secretaria de saúde de Sergipe, como indica a única referência sobre ele na rede: uma charge do UOL.
Mundo afora, Agripino de Cartago, quase 150 anos após a morte de Cristo, convocou os bispos e declarou que reconheceria somente o batismo da Igreja Católica. Eu não sei o que Agripino Lima, católico fervoroso, pensa do acordo que o governo brasileiro fez com a Santa Sé. Acordos, aliás, nunca agradaram a Agripino...de Nazaré, que foi um anarquista brasileiro do começo do século passado. Como todo anarquista, detestava estudar. Nunca dirigiu uma universidade. Já Agripino, sim: no México, Guerrero Agripino é reitor da Universidade de Guanajuato.
Agripino Grieco é um pensador brasileiro. Agripino Aroeira, um compositor alagoano de xaxado. Agripino Lima gosta de xaxado? Não sei. Mas também há Agripinos menos famosos: no Facebook, Wilson Agripino da Silva é um carrancudo e Chantelle Agripino é uma americana obesa. No Orkut, Agripino Arroyo é um rapaz apaixonado por motos. O doutor Agripino Magalhães é ortopedista em Fortaleza.
Agripino não é só nome de gente. A construtora Agripino, na Paraíba, divide seu nome com o Hostal Agripino, em Mora, Espanha, cidade famosa pela Fiesta del Olivo. Mas não é a única empreitada de Agripino no ramo turístico. Quando você for a Salagdoong - uma praia paradisíaca nas Filipinas - pode ficar no Hotel Agripino. Voltando à Ibéria, há artigos valiosos e interessantes na Talleres Agripino, loja de pratarias de Verín, cidade na divisa com Portugal. Agripino é um bairro de João Pessoa, mas também é apresentado o tempo inteiro por Ferrão, personagem do seriado infantil Vila Sésamo, como o vegetal milagroso que resolve qualquer problema. Agripina - no feminino mesmo - é um dos maiores insetos da zoologia brasileira e A Charanga do Agripino é a canção dos Golden Boys, que diz:
Agripino Grieco é um pensador brasileiro. Agripino Aroeira, um compositor alagoano de xaxado. Agripino Lima gosta de xaxado? Não sei. Mas também há Agripinos menos famosos: no Facebook, Wilson Agripino da Silva é um carrancudo e Chantelle Agripino é uma americana obesa. No Orkut, Agripino Arroyo é um rapaz apaixonado por motos. O doutor Agripino Magalhães é ortopedista em Fortaleza.
Agripino não é só nome de gente. A construtora Agripino, na Paraíba, divide seu nome com o Hostal Agripino, em Mora, Espanha, cidade famosa pela Fiesta del Olivo. Mas não é a única empreitada de Agripino no ramo turístico. Quando você for a Salagdoong - uma praia paradisíaca nas Filipinas - pode ficar no Hotel Agripino. Voltando à Ibéria, há artigos valiosos e interessantes na Talleres Agripino, loja de pratarias de Verín, cidade na divisa com Portugal. Agripino é um bairro de João Pessoa, mas também é apresentado o tempo inteiro por Ferrão, personagem do seriado infantil Vila Sésamo, como o vegetal milagroso que resolve qualquer problema. Agripina - no feminino mesmo - é um dos maiores insetos da zoologia brasileira e A Charanga do Agripino é a canção dos Golden Boys, que diz:
Agripino meu vizinho da direita
Tem um carro que é coisa de museu.
Eu não sei aonde ele tanto ajeita
Que o carro nunca anda e ele quer trocar pneu.
Eu não sei aonde ele tanto ajeita
Que o carro nunca anda e ele quer trocar pneu.
Tem um carro que é coisa de museu.
Eu não sei aonde ele tanto ajeita
Que o carro nunca anda e ele quer trocar pneu.
Eu não sei aonde ele tanto ajeita
Que o carro nunca anda e ele quer trocar pneu.
Biribi, fonfon, biribi, fonfon
A buzina começa a tocar
Biribi, fonfon, biribi, fonfon
Mas só anda se a gente empurrar
A canção dos Golden Boys não foi feita para Agripino Lima. Mas, dependendo do viés com que você lê, pode entender que eu disse que ele é de direita, que ele trocou pneus de algum carro oficial sem precisar ou que na gestão dele a coisa só anda se a gente empurrar. Gay Talese está certo mesmo. Fazer jornalismo com base na internet é um perigo. Quer outro exemplo? Agripino Lima, no Orkut, é membro de comunidades como "Eu choro, bebo e peço desculpas", "Eu curto Bob Marley", "Saudades de Prudente. Mentira!", e "Eu adoro gente que se perde". O perfil de Agripino Lima no Orkut é um perigo.
Agripino tenta censurar a mídia? Dizem. Que sim e que não. O ônus de ser pessoa pública é administrar o que se fala sobre ela própria. Ruy Castro não se envergonha de pesquisar no Google. Eu também não. Arcaremos com as críticas em decorrência disso. Agripino Lima não se preocupa muito com o que dizem sobre ele no Orkut, nem tentou proibir o Twitter. Parece ser mais sensato que Xuxa e Sarney. Mas, se quiser copiá-los, serão maix proxexos inúteis no Judixiário. Porque não se cala a voz do povo. Nem o teclado do povo.

