domingo, 9 de agosto de 2009

O que foi que o Jô fez de errado?

Jô Soares comprou briga com PP ao entrevistar Juca Kfouri em seu programa e, com ele, reclamar da realização de jogos no Prudentão. Jô disse que "Prudente fica uma estação pra lá de Deus me livre", causando revolta na mídia e governo locais, com críticas pesadas a entrevistador e entrevistado.

Não vejo o Jô, mas ele me arranca gargalhadas como as do Bira com seus livros. Já o Juca escreve bem, mas admirável mesmo é seu dom de prender até o ouvinte de SP que não gosta de futebol com seu CBN Esporte Clube, um programa esportivo com bordões cheios de recados para políticos e cartolas.

Só que Kfouri é que é o grande vilão dessa história. Ao chamar de picuinhas entre cartolas e times a razão de um acontecimento que tanto alegrou os prudentinos, defende o privilégio de somente os paulistanos acompanharem um jogo da primeira divisão ao vivo.

Mas agora é a minha vez de polemizar: o que foi que Jô Soares fez de errado? Nada mais que seu trabalho: fazer piada. O humorista sempre tem que falar de outrém para provocar risos. Instalada a confusão, retratou-se com PP de maneira adequada e, principalmente, sem perder a piada. Leu a ufanista carta enviada pelo prefeito e explicou que só brincara com a enorme distância de Prudente a Sampa. O que é a mais pura verdade.

Viajar entre as duas cidades leva no mínimo três horas, incluindo traslados - isso quando o vôo não atrasa, como ocorreu essa semana por causa de um simples pássaro. Não é tempo considerável mas, dentro do Estado de São Paulo, é o vôo mais longo que temos;

Pela estrada, a coisa piora. Culpa de quem? Sim, dos políticos. O que eles fizeram? Nada. Não tiveram força política para duplicar meros 235 km de pista simples que nos separam da Castelo Branco. São 15 anos de obra e nada do fim da duplicação da Raposo. Graças à não-iniciativa pública, em 5500 dias duplicaram 175 quilômetros de pista, enquanto a Bandeirantes ganhou uma nova faixa em cada sentido em 18 meses e a Ecovias perfurou a Serra do Mar com um complexo de túneis de 10 km em pouco mais de 3 anos. Aqui pertinho, ainda temos os trechos sem acostamento que já ceifaram tantas vidas.

Por fim, não temos mais o saudoso trem que nos levava até a Estação Júlio Prestes, onde hoje funciona a Sala São Paulo. Está correto. Lá acontecem concertos, e não teatro de comédia. E as dezoito horas de viagem eram uma piada com os usuários e entusiastas das estradas de ferro. Tempo suficiente pra se chegar na Índia, voando pela Emirates e fazendo conexão em Dubai.

Jô caçoou de nossa distância da capital, e pouco. Prudente é mesmo longe pra caramba!

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