Esta humilde tentativa de jornalista estréia no assunto Forças Armadas com uma triste constatação: ao que tudo indica, a escolha dos caças que a Aeronáutica comprará será totalmente política. Não bastou a FAB soltar um relatório técnico onde opta, em primeiro lugar, pelo caça Gripen NG, da sueca da SAAB (mais barato), em segundo pelo americano da Boeing (com mais modelos voando) e, em último, pelos Rafale da Dassault. O chanceler Celso Amorim já adiantou que prevalecerá o critério político na hora da decisão. Lula quer os caças franceses, por mais caros que sejam. Confesso que não entendia patavina sobre caças até a hora do almoço de hoje. Para escrever sobre os pontos principais desta questão, fiz o que todo jornalista deve fazer, mas que Lula não faz, pois "dá sono": ler.
-O governo alega que a escolha do caça sueco pela FAB só levou em conta o preço. O Gripen NG custa metade do preço do Rafale, o caça francês. O lote inicial previsto é de 36 caças, mas no total serão comprados 120. É isso mesmo que você está lendo: o Brasil vai gastar U$ 10 bilhões para comprar 120 caças franceses de última geração. Sabe quantos desses a França tem? Menos de 150. Pergunto: por que não usar os mesmos 10 bilhões e comprar 60 Rafale e 120 Gripen NG, formando uma frota de caças maior que a da França? Claro: Lula quer ajudar seu amigo, mas construir uma frota maior que a francesa pode deixar Sarkozy em maus lençóis...
-Outro argumento é de que somente a proposta francesa inclui transferência total da tecnologia. Balela. Quem fala somente em transferência parcial são os EUA, o que já era esperado. A Suécia aceita não somente a transferência total de tecnologia, como também investir 175% do valor do contrato no Brasil, estabelecendo aqui parte da produção deste modelo. Na prática, criaríamos uma SAAB brasileira. Aí, os petistas dizem que partes importantes do caça sueco, como o motor e o software, são americanas, e que os EUA vetariam a transferência dessa tecnologia para o Brasil, alegando razões militares estratégicas. O PT, quando não tem resposta, sempre recorre às tais razões estratégicas. Usou-as nos anos 90, quando foi contra a privatização da EMBRAER, que acabou vendida, tornando-se uma das 10 maiores da aviação comercial mundial. Hoje, os mesmos EUA que querem nos vender os caças da Boeing também são os maiores compradores de jatos comerciais da EMBRAER, enquanto o avião presidencial brasileiro é...adivinhem: um Airbus francês.
-Outro argumento do governo contra o ranking feito pela FAB é de que os Gripen NG da SAAB não existem, ainda estão no papel, portanto não possuem eficiência comprovada. O Brasil tem pressa, precisa dos caças logo. Lula deve ter "acordado invocado e ligado para o Bush", que encheu a cabecinha do brasileiro de paranóias, convencendo-o da necessidade imediata da compra. Deve haver alguma guerra iminente por aí. Esses cinco bilhões de dólares a mais não são nada para Lula, mas podem "tirar muito brasileiro da merda". O presidente, que anda com a cabeça cheia, deveria reconsiderar a opinião técnica da FAB, pois além de economia, o Brasil poderia, pela primeira vez, participar ativamente do desenvolvimento de um caça supersônico.
-Nelson Jobim, nosso ministro da defesa, tenta negociar com a FAB um novo relatório, com texto que não seja tão taxativo, pois isso facilitaria a opção do presidente pelos Rafale. Do jeito que o relatório técnico está, causará problemas para Lula. Nem mesmo o fato de a Dassault deter quase 1% das ações da Embraer pesou a favor da empresa francesa. Isso porque somente a Suécia se comprometeu, em sua proposta, a adquirir os Tucanos e os KC-390, aviões militares produzidos pela Embraer, o que também ajuda o Brasil. Além disso, Hakan Jevrell, vice-ministro sueco da defesa, já sinalizou com uma atrativa linha de crédito caso o Brasil opte pela proposta da SAAB, que, repito, é a mais econômica de todas.
-Os técnicos da FAB preferem os aviões suecos, e o alto comando da aeronáutica tem queda pelos Boeing. Já Jobim, francófilo assumido, quer ajudar a Dassault que, mesmo finalista em diversas concorrências, tem tido dificuldades para encontrar compradores internacionais para seus Rafale. Lula, na verdade, ainda não se inteirou dos últimos acontecimentos, pois anda muito ocupado em reuniões militares na base de Inema, na Bahia, e no Forte dos Andradas, no Guarujá, como mostram as fotos abaixo:
É preciso entender que não se vai gastar os cinco ou dez bilhões em caças agora, à vista. O governo financiará isso a longo prazo. Portanto, a escolha de Lula afetará provavelmente a próxima geração de brasileiros. Você compra um carro mais caro só porque seu amigo está vendendo? Creio que não. Ainda mais se for para o seu filho pagar a conta. Lula está pisando em cima de três princípios da administração pública (moralidade, publicidade e eficiência) ao contrariar a FAB e privilegiar os franceses. Também vale lembrar que o Brasil já compra helicópteros e submarinos militares da França, portanto seria prudente não concentrar, em um fornecedor só, compras tão estratégicas. Da mesma forma que, durante a ditadura, tínhamos ojeriza à intervenção militar em educação, cultura e, principalmente, na política, Lula deveria ser sensato e levar em conta o ranking técnico elaborado pela Força Aérea Brasileira, que coloca os caças franceses claramente em último lugar.







Um comentário:
Brasil emergente igual novo rico ta com tanto dinheiro que nao sabe onde gasta. Logico que tem que comprar Louis Vuitton. Coisa chique vem da franca meu amigo. Depois estourando veuve-clicquot pra comemorar a compra dos cacas.
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